Orientações sobre o reconhecimento de sinais de risco buscam fortalecer o trabalho em rede
A identificação, a abordagem e o cuidado de crianças e adolescentes com propensão a comportamentos autolesivos e suicidas foram os temas que atraíram um grande público ao auditório da Associação Comercial e Empresarial de Cianorte (ACIC), na noite da última quinta-feira (28). O encontro foi promovido pelo Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) e reuniu representantes de instituições de saúde, educação, assistência social e Ministério Público da Capital do Vestuário e dos municípios de Indianópolis, Japurá, Jussara, São Manoel do Paraná e São Tomé.
Os trabalhos tiveram início com a explanação realizada pelo médico do CAPS, Raphael Mascarenhas, que possui especialização em psiquiatria, sobre o “Jogo Baleia Azul” e as motivações que levam os jovens a participar do desafio virtual, que envolve automutilações e cujo último passo é o de tirar a própria vida. “A adolescência costuma ser estereotipada e o suicídio tratado como tabu. Uma vez associados, surgem várias hipóteses equivocadas, como chamar a atenção, falta de apanhar, mudanças hormonais, acesso à internet, más companhias e outros ‘motivos’, quando, na verdade, é uma questão de saúde pública, que precisa ser tratada com seriedade”, alertou.
Segundo o médico, a morte autoprovocada por jovens está ligada a doenças psicológicas e vulnerabilidade, que incluem conflitos familiares, bullying, depressão, ansiedade, abusos morais, violência sexual e negligência. “Na adolescência, o sofrimento, independente do motivo, costuma ser muito intenso. Por isso, não critique, não julgue e não subestime o adolescente. Ajude-o a entender que a saída existe e que sempre há uma solução”, orienta Mascarenhas.
Já para aplicação no âmbito escolar, propostas de trabalho para o mapeamento de turma, reconhecimento de sinais indicativos de risco em crianças e adolescentes e sugestões de atividades com pais ou responsáveis, de acordo com a faixa etária dos alunos, desde o Pré I ao Ensino Médio, foram apresentadas pela psicóloga escolar, Camila Yae Sugayama Ardenghi; pela coordenadora educacional e pedagógica de Educação Especial, Inclusão e Diversidade, Juliana Turetti Romeiro Peruci; e pela representante do Núcleo Regional de Educação de Cianorte, Kely Cristine Werderberg.
As explanações foram elogiadas pela promotora da Vara de Infância e Juventude, Elaine Cristina de Lima, que salientou questões sobre as interações sociais. “O compartilhamento de ideias é fundamental para o fortalecimento da rede. As sugestões aqui apresentadas são muito válidas para diminuir os abismos entre pais e filhos e, por meio da escola, identificar, notificar e dar o encaminhamento adequado às vítimas de violência, abusos, maus tratos, negligência e outras violações de direito, visto a convivência diária de educadores e professores com as crianças e adolescentes”, disse.
A representante do Ministério Público, também, alertou que “muitas pessoas costumam se perguntar: ‘Que responsabilidade tenho com o filho do outro?’. A resposta é bem simples: vivemos em sociedade e devemos zelar uns pelos outros. Além disso, se você pode socorrer ou pedir que a autoridade pública socorra a vítima e não o faz, você está cometendo omissão de socorro e isso é crime, com punições previstas no Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA”, apontou a promotora.
Neste sentido, a chefe da Divisão de Saúde Mental, Marlene Bataglia, lembrou que o primeiro passo é acionar o Conselho Tutelar, pelos telefones 3629-4141 e 99126-9377 ou o CAPSi, que atende pelos números 3631-8960 e 99105-0243 e que, além disso, denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque 100. “Seja o anjo da guarda de alguém. Ajude a salvar vidas”, solicitou Marlene que, juntamente com a secretária municipal de Saúde de Cianorte, Michelly Viguiato Pricinotto, agradeceu a presença de todos.