De reparo em reparo, Wellington Silva David percebeu que ser ‘marido de aluguel’ era um bom negócio e a clientela só aumentou depois que se tornou um MEI
Wellington Silva David, 34 anos, ou Tom como é conhecido, nunca imaginou que algum dia seria ‘marido de aluguel’. Ele, que diz ter exercido diferentes profissões e “não saber o que é férias, mas sim o que é ter três empregos ao mesmo tempo”, encontrou no mundo dos reparos e das reformas a oportunidade de melhorar de vida, conquistando mais tempo para a família, para planejar seu futuro e a independência financeira que tanto desejava.
Começou com os serviços nas áreas da construção civil, elétrica, hidráulica e cerâmica há quatro anos. “Meu irmão voltou dos Estados Unidos e me ensinou as técnicas de lá. Enxerguei a oportunidade e, desde então, venho me aprimorando. No começo, eu distribuía panfletos para divulgar meu trabalho, hoje nem preciso mais. Sou contratado por indicação de um cliente para o outro. Cheguei a um ponto de não conseguir atender todo mundo por estar com os horários sempre cheios”, aponta.
O sucesso no negócio levou Tom, em setembro do ano passado, a buscar a formalização. “Com a profissionalização da minha atividade e a carga de serviços aumentando significativamente, meus clientes passaram a cobrar questões importantes como notas fiscais e o meu seguro de vida. Foi então que, conversando com um senhor, fiquei sabendo dos benefícios de ser um microempreendedor individual”, conta.
Para retirar a documentação necessária ele buscou a Sala do Empreendedor, que em parceria com a ACIC e o Sebrae, atende na Prefeitura Municipal de Cianorte. “Achei simples demais. Foi um processo muito rápido e sem burocracia”, conta. A documentação adquirida permitiu que ele conseguisse serviços maiores e passasse a ser prestador em grandes empresas. “A contribuição que preciso fazer mensalmente é pequena perto dos benefícios que tem me trazido”, declara.
Entre reformas maiores para as quais é contratado e os pequenos reparos, o ‘marido de aluguel’ diz estar satisfeito. “Tenho meu diferencial. Sempre faço a mais para o meu cliente e cobro um preço justo, o que faz com que ele busque o meu serviço mais vezes e é isso que me mantem sempre trabalhando”, conclui.
O secretário municipal de Indústria e Comércio, Wanderley Fernandes, alega que os benefícios de se tornar um MEI são inúmeros. “O profissional que trabalha por conta própria, com a formalização, adquire a possibilidade de possuir um CNPJ, o que facilita a abertura de conta bancária, pedidos de empréstimos e a emissão de notas fiscais. Além do mais, o empreendedor pode desfrutar de benefícios trabalhistas como, aposentadoria por idade, auxílio doença, aposentadoria por invalidez, salário-maternidade e, além disso, seus dependentes podem receber benefícios como pensão por morte e auxílio-reclusão”, relata.
Serviço
Assim como Tom, aproximadamente, duas mil pessoas também estão cadastradas como microempreendedores individuais (MEIs) no município, de modo que apenas do início do último ano até agora, 84 delas legalizaram a sua situação. “São inúmeros segmentos em que um MEI é capaz de atuar, como profissionais de beleza, de reparos, reformas, costura, alimentação, entre tantos outros”, aponta a agente de desenvolvimento, Silvia Lima.
O cadastro não possui custo. “Os gastos que o empreendedor terá são os encargos previdenciários que, no valor de R$ 46,85, são mensais e equivalentes a 5% do salário mínimo. Caso seja prestador de serviço, arca com mais R$ 5,00, e se atuar no comércio, mais R$ 1,00. Pagando essa quantia, a pessoa estará apta a receber diversos benefícios trabalhistas”, completa Silvia. Mais informações podem ser obtidas através do portal da Sala do Empreendedor na internet (http://www.salasdoempreendedor.com.br/) ou presencialmente.
O atendimento acontece durante o expediente da Prefeitura, das 8h às 11h30 e das 13h30 às 17h30. No local, a agente de desenvolvimento treinada fica a disposição do público. Podem procurar os serviços empresários que possuem um rendimento anual inferior à R$ 60 mil.