Equívocos causam baixa adesão à vacina; Até a última semana, apenas 24% do público-alvo havia sido alcançado na Capital do Vestuário
Em Cianorte, o último sábado (27) foi dedicado a um motivo nobre: informar a população sobre a importância da imunização contra o Papiloma Vírus Humano (HPV) para as meninas com idades entre os nove e os 13 anos. Durante a manhã, os profissionais da Secretaria Municipal de Saúde tomaram as avenidas da região central, com o apoio do Corpo de Bombeiros e a presença da “Maria Gotinha”, divulgando a campanha “Amar é proteger”, bem como prestando orientações. Já das 13h às 17h, todas as Unidades Básicas de Saúde, bem como a sala de vacina estruturada ao lado do Pronto Atendimento (PA), disponibilizaram as doses da imunização, que é composta por três etapas, sendo a segunda após seis meses da primeira e a terceira quando decorridos cinco anos da primeira.
“Apesar de todos os nossos esforços, apenas 124 meninas procuraram pela vacina no sábado e, até a última semana, somente 24% do público-alvo havia sido alcançado, sendo que a meta é imunizar, ao menos, 80%”, contou a supervisora da Vigilância Epidemiológica, Dalila Pereira da Silva, que relaciona a baixa adesão à vacina com os equívocos sobre as reações adversas que um grupo de adolescentes teve em São Paulo, no ano passado, após ter tomado a primeira dose. “É preciso deixar claro que a vacina é segura. Estas meninas passaram por todos os exames, inclusive neurológicos, e a conclusão foi de que houve uma situação de estresse coletivo, uma reação comum quando se trata do público adolescente, tanto que elas estão bem e sem qualquer dano à saúde”, afirmou.
Além disso, segundo a chefe da Divisão de Prevenção em Saúde, Heloisa Dantas, outro fator que prejudica a adesão à vacina é a associação incorreta do HPV ao início da vida sexual. “Também é necessário criar a consciência de que esta é uma medida preventiva contra doenças que as meninas podem adquirir no futuro. Não significa, de forma alguma, o incentivo a comportamentos sexuais precoces ou arriscados. Assim, pedimos o auxílio das famílias, escolas e igrejas para a desmistificação da vacina, que protege contra os quatro subtipos do vírus HPV que são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo de útero e por 90% das verrugas anogenitais”, garantiu.
As doses seguem disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde, de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 11h30min e das 13h30min às 17h. Devem procurar pela vacina as meninas com idades entre os nove e os 13 anos, bem como as que iniciaram o processo de imunização dentro da faixa etária, porém já fizeram 14 ou mais anos. “Para que haja proteção, é preciso completar o esquema de vacinação, ou seja, receber as três doses. Caso haja atraso, não é necessário começar de novo, basta tomar a que esta em falta”, alertou a diretora da Secretaria Municipal de Saúde, Ana Paula Ribeiro Águila.