Produtores de mandioca unem-se por melhores condições

 

Publicado em: 09/06/2014 00:00

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O auditório da Câmara Municipal esteve lotado na tarde desta segunda-feira (09). Isto porque, uma mobilização coordenada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cianorte, em parceria com o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e apoio de diversos órgãos do setor agrícola e do poder público municipal, reuniu pequenos produtores de mandioca, tanto da Capital do Vestuário como da região, para a discussão e proposição de soluções às questões que têm prejudicado o cultivo e comercialização do alimento.

Entre as dificuldades enfrentadas no campo, estão as exigências do Ministério Público do Trabalho que, entre outros, por força de lei, obriga o registro formal dos trabalhadores que prestam serviços pelo contrato de diárias, os chamados “boias-frias”, bem como a desvalorização da mandioca no Estado, que teve o preço reduzido de R$ 1/grama para aproximadamente R$ 0,40/grama, sendo que o custo da produção é avaliado em R$ 0,50/grama.

“Somos totalmente a favor da formalização do trabalho e da garantia das questões previdenciárias aos servidores agrícolas. Nossa reivindicação é que este processo ocorra de maneira adequada às condições dos pequenos produtores. As exigências do MP, por conta dos custos trabalhistas e encargos sociais, torna inviável a produção nas pequenas propriedades”, explicou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cianorte, Alex Gavioli que, ainda, realizou a leitura da Recomendação Nº 1968/2014 da 9ª Procuradoria Regional do Trabalho de Maringá que, entre outros, estabelece regras de conduta aos integrantes do ramo da mandioca, advertindo sobre a fiscalização e incidência de multas.

“Este é o momento de agirmos em união, pois se trata de um problema que afeta a todos: o trabalhador rural, o agricultor familiar, as farinheiras e indústrias da mandioca, bem como o poder público e os consumidores. Um depende do outro e, por isso, não podemos deixar o peso destas exigências somente aos pequenos produtores. Nossos principais questionamentos são: por que o produtor de mandioca não pode terceirizar a mão de obra, sendo que o próprio MP utiliza desta contratação de serviço? O que o Estado pode fazer pela valorização do preço que, no Paraná, está abaixo de outras regiões, até mesmo mais pobres que a nossa?”, destacou o presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, Luiz Carlos Gavioli.

O prefeito Bongiorno elogiou a iniciativa e renovou o compromisso do Governo Municipal para com a classe. “Vocês estão de parabéns pela união de forças e articulação de medidas. A administração municipal sabe das dificuldades do homem do campo e, também, como uma incentivadora do plantio da mandioca, uma vez que, pelo Programa de Apoio às Pequenas Propriedades, preparou gratuitamente 400 hectares a 130 agricultores familiares, apoia esta mobilização”, garantiu o chefe do Poder Executivo. Por sua vez, o presidente do Legislativo Municipal, vereador Dadá, também colocou a Câmara à disposição da causa.

Por fim, os participantes decidiram por marcar uma reunião com os empresários de farinheiras e outras indústrias do ramo da mandioca, de Cianorte e região, para pedir apoio. O encontro, provavelmente, será realizado na próxima sexta-feira (13). Além disso, a Câmara Municipal, também representada na ocasião pelos vereadores Valdomiro Gonçalves Pereira, Paulo Renato, Márcia Pereira e Sérgio Mendes comprometeu-se com o agendamento de uma audiência com o Secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Anacleto Ortigara.

Também participaram da reunião: o secretário municipal de Agricultura de Cianorte, Waldiley Domingos; o presidente do Sindicato Patronal Rural, Domingos Vela; representantes da Emater; e dirigentes sindicais e representantes do Legislativo de Araruna, São Tomé e Cidade Gaúcha.