Você sabe como funciona o atendimento do CAPS em Cianorte?

Publicado: 20/07/2018

A chefe da Divisão de Saúde Mental, Thaíse Dantas, esclarece dúvidas recorrentes 

              Criado em âmbito federal, como uma alternativa aos internamentos psiquiátricos e manicômios, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é um serviço aberto e comunitário do Sistema Único de Saúde (SUS), que objetiva o tratamento de transtornos mentais graves e persistentes, inclusive daqueles decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Em Cianorte, a população conta com duas unidades: o CAPSi (localizado na Rua Ipiranga, nº 84), que atende ao público infantojuvenil e o CAPS I (na Rua Tiradentes, nº 84), que cuida dos adultos. Juntas, as duas prestam serviços a uma média de 500 pessoas por mês. No entanto, para o restante dos cianortenses, algumas dúvidas são comuns com relação aos tipos de atendimento que são ofertados. Para esclarecer, a chefe da Divisão de Saúde Mental, Thaíse Dantas, respondeu a perguntas recorrentes. Confira:

 

Quem pode procurar/usufruir dos serviços ofertados pelo CAPS?

Thaíse: Ambas as unidades do CAPS mantêm as portas abertas para todos que julgam necessitar de cuidados em saúde mental. O acolhimento, porém, não significa que todos vão receber tratamento continuado. Isto porque, cada um dos pacientes possui um Plano Terapêutico Singular, o PTS, confeccionado a partir das demandas apresentadas por ele e avaliadas pela equipe, o que define os atendimentos que a pessoa necessita receber, que podem ser individuais, em grupos, consulta médica, psicoterapia e/ou oficinas terapêuticas; e com qual frequência: regime intensivo, semi-intensivo e não intensivo, conforme disposição da Portaria nº 336/2002 do Ministério da Saúde.

 

Como funciona o atendimento?

Thaíse: O CAPS conta com equipe multidisciplinar. Em Cianorte, temos médicos, pedagogos, psicopedagogos, terapeuta ocupacional, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, instrutor técnico desportivo e artesã, que trabalham de modo a possibilitar a reabilitação psicossocial e reinserção do indivíduo com transtorno mental grave e persistente em toda sua complexidade, uma vez que, via de regra, são distúrbios que geram prejuízo funcional nas diversas esferas da vida do sujeito, como a laboral, acadêmica, afetiva, social, etc.

 

Quais atividades terapêuticas o CAPS pode oferecer?

Thaíse: Entre as ações realizadas destacam-se as orientações e atendimentos individuais, atividades de Educação Física, oficinas de arteterapia, grupos de sociabilidade e inteligência emocional para todas as faixas etárias, grupos de autonomia e autocuidado, grupos de orientação aos pais e familiares, meditação, musicalização e autoexpressão, passeios para o conhecimento de órgãos públicos como forma de fortalecimento da cidadania, confraternização com os familiares para o fortalecimento dos vínculos sociais e afetivos, comemoração de datas festivas, e outras. Com a evolução do tratamento, espera-se que o indivíduo se torne apto a retomar sua funcionalidade e receba alta para dar continuidade ao acompanhamento na Atenção Básica à Saúde, dentro de seu território.

 

Recentemente surgiram questionamentos acerca da saída do médico da equipe dos CAPSi e I. O que foi feito para suprir o profissional?

Thaíse: Obviamente, a falta de qualquer um dos profissionais, seja por licença, férias ou mesmo por pedido de exoneração, lança desafios ao funcionamento e andamento do serviço durante o período de afastamento ou até a contratação de um novo profissional. Contudo, as equipes continuaram a desenvolver os atendimentos e trabalharam de modo a suprir a demanda que se apresentava, fazendo o encaminhamento dos pacientes que necessitavam de consulta a outras unidades de saúde, bem como fornecendo a renovação das prescrições médicas, de modo que ninguém ficasse sem a medicação de uso contínuo.

Neste momento, as duas equipes de saúde mental do município estão completas, com uma médica responsável para cada. O atendimento no CAPS I está sendo realizado pela Dra. Belisa Zimmermann Bognar, de segunda à sexta-feira, todas as manhãs, de modo que os horários de assistência médica aumentaram de três para cinco períodos. Já no CAPSi, foi realizada a contratação da Dra. Patrícia Dallago Chandoha, que manterá os dois períodos de atendimento médico ofertados anteriormente, sendo estes nas terças-feiras, manhã e tarde. Ambas possuem experiência no tratamento de pacientes psiquiátricos e contam com especialização em saúde mental. Além disso, para o CAPS I, houve o chamamento de mais um psicólogo, com jornada de 40 horas.

 

Por que alguns casos são encaminhados para outros órgãos de saúde?

Thaíse: O CAPS é uma instituição destinada a acolher os pacientes com transtornos mentais, estimular sua integração familiar e social e apoiar a busca por autonomia. Os quadros que não caracterizam transtorno mental grave e/ou persistente com prejuízo funcional das capacidades adaptativas, mas que apresentam questões relacionadas a algum nível de sofrimento psíquico são, portanto, encaminhados para tratamento com médico especialista no CISCENOP e/ou para acompanhamento em UBS.             

Além disso, é importante lembrar que o CAPS não constitui um serviço de urgência. Portanto, as situações de crise em saúde mental, como as emergências psiquiátricas ou intoxicações decorrentes do uso nocivo de álcool e outras drogas, são encaminhadas para os pontos de atenção à urgência da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do município, que são a Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 horas), o SAMU e os hospitais, para o acolhimento e cuidado na fase aguda do sofrimento/transtorno mental.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação